Uma iniciativa internacional da vela voltada à proteção de baleias e outros animais da megafauna marinha está entre as finalistas do Sport Positive Awards 2026, na categoria Biodiversidade.
As Diretrizes para a Proteção da Megafauna Marinha na Vela, desenvolvidas pela World Sailing em parceria com o Marine Mammal Advisory Group (MMAG), concorrem ao prêmio que reconhece organizações e profissionais que utilizam a força do esporte para enfrentar alguns dos principais desafios do nosso tempo, como as crises climática e da biodiversidade e as questões de justiça ambiental e climática.
A indicação ganha relevância para a vela brasileira também por marcar um momento importante para a Confederação Brasileira de Vela (CBVela). Desde julho de 2026, a confederação integra o Marine Mammal Advisory Group, rede internacional que reúne cientistas, organizações esportivas, velejadores e profissionais de conservação para desenvolver soluções voltadas à redução do risco de colisões entre embarcações e animais marinhos.
Diretrizes – Estruturadas a partir da estratégia de mitigação de riscos do MMAG, as diretrizes incluem um documento de 50 páginas, com estudos de casos reais, além de um guia de consulta rápida para velejadores e gestores de eventos de vela. O material reúne listas de verificação, fluxogramas de tomada de decisão e ferramentas para identificação de espécies, facilitando sua aplicação em diferentes contextos da modalidade.
Desde sua publicação, as recomendações já começaram a ser incorporadas por eventos internacionais. A The Ocean Race, por exemplo, passou a considerar a presença de megafauna marinha no planejamento de rotas e operações; a Newport Bermuda Race fortaleceu seus protocolos de comunicação de riscos; e a St. Maarten Heineken Regatta estudou soluções de monitoramento acústico em tempo real para ampliar a percepção sobre a presença de animais durante períodos de reprodução.
No Brasil – Desde outubro de 2025, CBVela e VIVA atuam conjuntamente para integrar o tema da megafauna marinha à modalidade vela. Com o lançamento oficial das diretrizes internacionais, no início de 2026, a parceria CBVela-VIVA iniciou um trabalho de difusão do tema aplicado à realidade brasileira, especialmente colocando em evidência a legislação nacional que trata da interação de barcos e baleias e a diversidade da megafauna marinha encontrada nas regiões do país. Três guias já foram publicados pela parceria, com focos em Fortaleza, Litoral Paulista e Litoral Norte Paulista.
O trabalho foi realizado em articulação com o Marine Mammal Advisory Group e, em julho de 2026, a CBVela e o VIVA passaram a integrar oficialmente o coletivo.
Na prática – Na Regata Volta da Laje de Santos, a parceria resultou na elaboração do Plano de Ação para a Natureza – Baleias e Golfinhos, desenvolvido em conjunto com o Iate Clube de Santos. O documento reúne orientações para ampliar o conhecimento sobre a presença e o comportamento da megafauna marinha na região de Santos e Guarujá (SP) e estabelecer procedimentos de prevenção e resposta relacionados à interação entre embarcações e animais.
Semana Internacional de Vela de Ilhabela – A ação mais recente aconteceu durante a 53a. Semana Internacional de Vela de Ilhabela. A Confederação e o VIVA, junto com a coordenação do evento e demais parceiros, elaboraram um Adendo ao Aviso de Regata contendo as informações e procedimentos a serem adotados no caso de avistamento de baleias nas raias da competição.
Pesquisadoras do VIVA permaneceram em um ponto fixo de observação a 240 metros acima do nível do mar, na ilha de Alcatrazes, para realizar o monitoramento durante a regata Alcatrazes por Boreste e manter comunicação com a Comissão de Regata.
“Conseguimos monitorar a área da regata por 8 horas consecutivas, com uma visibilidade de 20 quilômetros; vimos os barcos saindo do Canal de São Sebastião, aproximando-se de Alcatrazes por boreste e depois retornando para o canal. Uma jubarte foi avistada e conseguimos reportar a presença do animal para a Comissão de Regata, que repassou o informe para os barcos”, relata Mia Morete, do VIVA.
A experiência foi apresentada no painel da CBVela na São Paulo Climate Week, realizado no dia 4 de agosto. “Falar de ação climática no esporte é desafiador. Mas quando mostramos que é possível alterar a forma de se fazer uma regata para garantir a proteção de animais marinhos, dos barcos e das pessoas e como essa mudança também se enquadra em ação climática, a conversa desperta o interesse das pessoas”, explica a gerente de Sustentabilidade da CBVela, Sandra Di Croce Patricio.
As baleias contribuem para a captura de carbono ao favorecer o crescimento do fitoplâncton, que absorve CO₂ da atmosfera durante a fotossíntese. Por meio de suas fezes, elas redistribuem nutrientes como ferro e nitrogênio, estimulando a produção de fitoplâncton, base de importantes cadeias alimentares marinhas. Além disso, quando morrem, as baleias levam parte do carbono armazenado em seus corpos para o fundo do oceano, onde ele pode permanecer por longos períodos. Assim, as baleias ajudam a movimentar nutrientes e carbono pelo oceano, contribuindo para a regulação do clima.
Nos guias publicados pela parceria CBVela-VIVA você pode encontrar todas as informações sobre as diretrizes internacionais, a legislação brasileira, e a importância das baleias para a regulação do clima.