A Confederação Brasileira de Vela (CBVela), em parceria com o Iate Clube de Santos (ICS) e o VIVA Instituto Verde Azul, apresentou o Guia Velas e Baleias no Litoral Paulista durante a 83ª Reunião Ordinária do Conselho Consultivo do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos (16/4).
O encontro foi realizado na sede do Parque Estadual Xixová-Japuí e conduzido pelo gestor do parque, José Edmilson de Araujo Mello Junior, com a presença de representantes das instituições que atuam na região – Polícia Ambiental; Instituto Oceanográfico da USP; ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; Instituto de Pesca; Projeto Albatroz; Associações dos Operadores de Mergulho e Instituto Laje Viva.
O Conselho conheceu o trabalho da parceria que une a Confederação, o clube e um instituto de pesquisa em torno do objetivo de difundir e implementar a legislação nacional e as diretrizes da World Sailing para a interação responsável entre embarcações e a megafauna marinha. Um dos resultados da parceria é a publicação do Guia Velas e Baleias no Litoral Paulista.
“O tema da interação entre barcos e baleias tem várias dimensões e o foco da CBVela é a conservação da vida marinha, a segurança dos velejadores e das embarcações e também a realização de regatas em conformidade com as melhores práticas”, destacou Sandra Di Croce Patricio, gerente de sustentabilidade da CBVela.
Criado em 1993, o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos é o primeiro e único parque marinho entre as Unidades de Conservação do Estado de São Paulo, com cerca de 5 mil hectares no município de Santos, desempenhando papel fundamental na conservação da biodiversidade marinha da costa paulista.
No litoral paulista, onde está localizado o parque, já foram registradas 32 espécies de cetáceos, sendo 8 espécies de baleias e 24 de golfinhos, conforme dados de pesquisas conduzidas pelo VIVA e pelo Instituto Gremar.
Segundo Marina Leite, bióloga do VIVA, com a proibição da caça às baleias, em 1986, esses animais voltaram a povoar nossos oceanos. “Esse fenômeno é recente, e estamos todos aprendendo novamente a coexistir com essas espécies”, relatou Marina.
O Guia Velas e Baleias reúne orientações práticas para velejadores, organizadores de regatas e demais interessados, abordando a importância desses animais para a saúde dos oceanos e do planeta, além de apresentar a legislação vigente e boas práticas para a convivência segura entre fauna marinha e embarcações.
Na publicação o leitor encontra todas as regras para velejar em harmonia com a megafauna, como:
- manter 100 metros de distância dos animais
- não permanecer mais de 30 minutos próximos aos animais
- não perseguir as baleias
- drones permitidos apenas a 100 metros ou mais acima dos animais
“Nós queremos estar ao lado das instituições que organizam as regatas, a união entre a ciência e o esporte é essencial para promover mudanças concretas na conservação marinha”, afirmou Mia Morete, fundadora do VIVA.
Diretrizes para eventos de vela
O material também incorpora diretrizes elaboradas pela World Sailing, com apoio do grupo de especialistas Marine Mammal Advisory Group (MMAG), que orientam a realização de regatas em harmonia com a biodiversidade e incentivam velejadores e organizadores a atuarem como guardiões do oceano.
“No Iate Clube de Santos já estamos adotando as diretrizes e o Guia tem sido fundamental nesse processo de conscientização dos velejadores”, ressaltou Odoardo Lantieri, diretor náutico e de meio ambiente do ICS.
As diretrizes diferem para regatas costeiras e regatas offshore. Em ambas, caso animais sejam avistados antes do início da largada, a recomendação é atrasar a largada ou alterar o percurso, e a retomada da largada poderá ser feita somente depois de 20 minutos do último avistamento.
Caso os animais sejam avistados durante uma regata costeira, a orientação é suspender a competição e adotar medidas para afastar os barcos dos animais. A retomada da prova pode ser feita em 20 minutos após o último avistamento. No caso de uma regata oceânica (offshore) com avistamento de animais durante o percursos, não há orientação para interromper a prova – a prática indicada é adotar medidas para prevenir colisões, como ajuste de trajetória e de velocidade, por exemplo. “A finalidade é sempre manter o afastamento entre barcos e animais”, ressalta Odoardo.
Plano de ação para a natureza
O Guia também disponibiliza o acesso à ferramenta criada pela World Sailing/MMAG para facilitar a elaboração de um Plano de Ação para a Natureza para eventos de vela. O modelo fornece uma série de perguntas e considerações para orientar os eventos na obtenção de informações, avaliação de riscos, tomada de ações, comunicação, elaboração de relatórios e engajamento das partes interessadas.
A CBVela, junto com o VIVA e com o Iate Clube de Santos, estão à disposição da comunidade da vela para apoiar instituições organizadoras de regatas que desejam avançar nesse tema.


