O II Troféu da Vela Feminina tomou conta do Lago Paranoá nos dias 1 e 2 de novembro e deixou Brasília com gostinho de “quero mais”. Sucesso de participação, energia e propósito, o evento reuniu atletas de várias regiões do país em dois dias de regatas, formação, encontros e celebração. À frente da iniciativa, a Vice-Presidente da CBVela responsável pela Vela Feminina, junto a Maria Hackerott, que coordenou o campeonato, Karina Geyer acompanhou de perto cada momento, da abertura às clínicas técnicas, passando pela troca entre gerações e pela emoção das largadas.
Organizado pelo Iate Clube de Brasília, com apoio da Confederação Brasileira de Vela (CBVela), o Troféu integra o programa internacional Clean Regattas, que orienta e certifica boas práticas de sustentabilidade dentro e fora d’água. Uma edição que aliou esporte, formação, inclusão e responsabilidade ambiental, além de workshop de treinamento de treinadoras e oficiais de regata com patrocínio do Programa de Desenvolvimento de Esporte Feminino do Comite Olímpico do Brasil, consolidando-se como um marco no calendário da vela nacional.
Um evento que superou expectativas
Para Karina, o saldo não poderia ter sido melhor. “O II Troféu da Vela Feminina superou todas as nossas expectativas. Foi emocionante ver Brasília recebendo tantas mulheres apaixonadas pela vela, em um ambiente de aprendizado, troca e muita energia positiva”, afirma.
O clima, segundo ela, foi o grande diferencial. “O ambiente dentro e fora d’água foi inspirador, com muita colaboração e incentivo mútuo.”
Destaques dentro e fora d’água
A edição deste ano ampliou sua programação com clínicas, cursos e palestras, aproximando velejadoras, treinadoras e interessadas no esporte. “As clínicas e palestras aproximaram diferentes gerações e criaram momentos muito especiais. Ver treinadoras e atletas juntas, trocando experiências e aprendendo umas com as outras, deixou essa edição ainda mais marcante e cheia de significado”, destaca Karina.
Na água, o que mais chamou sua atenção foi o comportamento das velejadoras: “A confiança e o espírito coletivo foram impressionantes. Elas estavam determinadas, mas também abertas a aprender e apoiar umas às outras, exatamente o que buscamos com o Troféu.”
A receptividade do público também surpreendeu. “A participação foi maravilhosa. As clínicas mostraram que há uma grande sede por formação e espaço de protagonismo. Isso nos dá a certeza de que o evento já se consolidou como um marco na vela nacional.”
Protagonismo feminino em evidência
O Troféu nasceu com o propósito de impulsionar a presença de mulheres na vela e gerar novas referências para meninas e jovens atletas. Para Karina, essa transformação já é visível e profunda.
“O mais transformador tem sido ver mulheres ocupando lugares que antes pareciam distantes, na água, na arbitragem, na gestão e na organização. O Troféu nasceu para abrir portas e criar pontes, e é lindo ver isso acontecendo.”
Ela também destaca a evolução desde a primeira edição. “Hoje vemos mais mulheres se preparando tecnicamente, assumindo papéis de liderança e inspirando outras. Cada edição cria conexões e fortalece essa rede de apoio. A presença feminina deixa de ser apenas uma participação e passa a transformar o ambiente.”
O caminho, porém, ainda exige atenção. Acesso, visibilidade e oportunidades continuam sendo desafios. “Mas a realidade é animadora. Cada vez mais meninas crescem vendo mulheres velejando, liderando equipes e tomando decisões.”
Formação, incentivo técnico e novo destino já definido para a III edição
A edição de 2024 reforçou que o Troféu não é só competição, é formação.
“Essas ações fazem toda a diferença. Elas ajudam as mulheres a ganharem confiança e mostram que há muitos jeitos de participar da vela”, diz. Seja comandando barcos, arbitrando regatas ou integrando comissões técnicas, cada avanço cria novos modelos para as próximas gerações.
E há planos para expandir. “Queremos ampliar e levar esse modelo a outros estados. A próxima edição será no Cabanga Iate Clube, em Recife, mantendo esse formato que une vivência na água, formação e inspiração.”
Força institucional e parcerias
Karina destaca que o trabalho da CBVela é contínuo.
“A CBVela tem buscado manter o movimento da vela feminina vivo o ano todo. Promovemos formações técnicas, clínicas, mentorias e ações em parceria com clubes de todo o país. Queremos que o protagonismo feminino seja uma realidade permanente, não apenas uma data no calendário.”
Segundo ela, clubes, federações e treinadoras têm papel central nessa engrenagem: “São eles que acolhem novas velejadoras e criam oportunidades locais. As treinadoras são grandes multiplicadoras.”
Sobre Brasília, a gratidão é evidente. “A parceria com o Iate Clube de Brasília foi essencial. O clube apoiou o Troféu de forma exemplar e acolheu todos com atenção e dedicação. Cada pessoa fez a diferença.”
Nesse contexto, Karina faz um agradecimento especial:
“Quero deixar um agradecimento muito especial à Mirinha, que foi o coração dessa edição. Sua dedicação e presença marcaram todos nós.”
A vice-presidente ainda reforçou o compromisso socioambiental com ações de conscientização, redução de resíduos e incentivo ao cuidado com o lago.
“Essa pauta caminha junto com a vela. O mar e as águas são nosso espaço de vida e aprendizado — cuidar deles é parte do que somos na comunidade náutica.”
O Troféu integra oficialmente o Clean Regattas, o que reforça sua diretriz de responsabilidade ambiental e práticas sustentáveis na organização e operação.
Com a terceira edição confirmada para Recife, Karina projeta ainda mais crescimento. “Queremos manter o espírito de acolhimento e entusiasmo e seguir crescendo a cada ano.”
E deixa uma mensagem às meninas e mulheres que ainda sonham em velejar: “Não esperem o momento perfeito, ele começa quando a gente decide tentar. A vela acolhe, ensina e empodera. Estaremos de braços abertos para receber todas que quiserem viver essa experiência.”
Foto: Sandra Silva, Maria Hackerott (ao centro) e Karina Geyer