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CBVela e UFF lançam e-book sobre impactos ambientais e econômicos de eventos de vela no Brasil

Estudo será apresentado no Simpósio Mundial sobre Inteligência Artificial para Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas 2026

06/05/2026

Resumo

A Confederação Brasileira de Vela (CBVela), em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), lança seu novo e-book “Eventos de Vela e seus impactos ambientais e econômicos”, com resultados de pesquisas que mensuram a pegada de carbono e os efeitos econômicos gerados por competições da modalidade.

A Confederação Brasileira de Vela (CBVela), em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), lança seu novo e-book “Eventos de Vela e seus impactos ambientais e econômicos”, com resultados de pesquisas que mensuram a pegada de carbono e os efeitos econômicos gerados por competições da modalidade.

A publicação é o segundo e-book desenvolvido pela parceria CBVela–UFF e consolida um ano de pesquisas realizadas em diferentes regiões do Brasil, analisando quatro eventos do calendário nacional de vela em 2025. O trabalho avança ao propor a criação de uma ferramenta digital para mensuração de impactos e boas práticas de gestão para tornar as regatas mais sustentáveis.

O trabalho de pesquisa teve a participação de alunas da UFF e apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Ciência aplicada à gestão esportiva

O estudo parte de um princípio direto: não há sustentabilidade sem dados. A partir da mensuração dos impactos, especialmente os relacionados aos deslocamentos de pessoas e equipamentos, a CBVela passa a estruturar critérios concretos para melhorar a organização de seus eventos.

“Ser um esporte movido a vento não torna a vela automaticamente sustentável. Este estudo mostra onde estão nossos impactos e, principalmente, como podemos agir para reduzi-los”, afirma Daniel Nottinghan B. Azevedo, presidente da CBVela.

Além da dimensão ambiental, o e-book evidencia o potencial da vela como vetor de desenvolvimento no contexto da chamada Economia do Mar. “Os dados revelam que os eventos de vela geram fluxo de renda, turismo e visibilidade para as cidades-sede. Estamos falando de uma atividade inserida na Economia do Mar, com capacidade real de impulsionar o desenvolvimento sustentável”, destaca Daniel.

O desafio de falar de sustentabilidade durante a regata

Um dos pontos centrais do trabalho foi lidar com um desafio de engajar velejadores, profissionais, prestadores de serviços e público em sustentabilidade durante as competições. “Aprendemos que não é simples falar de carbono, por exemplo, em um ambiente onde todos estão focados em performance. Ainda assim, é essencial. Sem diagnóstico, não há mudança”, reforça Daniel.

Durante os eventos, foram testadas diferentes estratégias de comunicação, como guias de sustentabilidade, transmissões ao vivo e ações de engajamento. O processo mostrou que integrar o tema à experiência do evento é um caminho necessário.

Evolução do modelo e engajamento da comunidade da vela

O estudo também marca um avanço metodológico importante. A parceria CBVela–UFF desenvolveu um protocolo de pesquisa padronizado e escalável, que permite comparar dados entre diferentes eventos e ao longo do tempo.

“Construímos um modelo científico capaz de medir impactos ambientais e econômicos de forma integrada. Isso abre caminho para monitorar mudanças de comportamento e orientar políticas no esporte”, explica a professora Fátima Priscila Morela Edra, uma das autoras da publicação.

Entre os próximos passos está o desenvolvimento de uma calculadora de impacto, ferramenta capaz de oferecer resultados imediatos para os usuários sobre sua pegada de carbono e de agregar dados para orientar os profissionais que organizam regatas, além de oferecer retorno para as cidades-sede que recebem os eventos, que muitas vezes ficam sem informação sobre o quanto de recursos o evento deixou em circulação no território.

“A mensuração é só o começo. Nosso objetivo é evoluir para uma ferramenta que engaje toda a comunidade envolvida com a vela — velejadores, clubes, organizadores, autoridades municipais e parceiros —, na redução de impactos ambientais, ampliação de resultados econômicos e construção de soluções para ampliar o poder do esporte como vetor de desenvolvimento sustentável”, afirma Sandra Di Croce Patricio, gerente de Sustentabilidade da CBVela e coautora do estudo.

Inteligência artifical (IA) – O estudo será apresentado nos dias 7 e 8 de maio durante o simpósio internacional que reunirá especialistas em IA, cientistas do clima e setores da indústria e políiticas públicas para acelerar soluções climáticas baseadas em Inteligência Artificial.

O evento acontece na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, e é organizado em parceria com instituições alemãs de pesquisa e ensino, como o Centro de Pesquisa e Transferência para o Desenvolvimento Sustentável e Gestão das Mudanças Climáticas da Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo (Alemanha), a Escola Europeia de Ciência e Pesquisa em Sustentabilidade (ESSSR), e o Programa Interuniversitário de Pesquisa em Desenvolvimento Sustentável (IUSDRP) e da Rede Alemã-Brasileira de Ciência e Tecnologia (GERBRAS-SCIENCENET).

“Temos um caso pronto para aplicação de Inteligência Artificial. Vamos mostrar nosso trabalho e buscar parcerias para a evolução do sistema que criamos ao longo de 2025 junto com a CBVela”, afirma a professora Priscila, que apresentará o estudo durante o simpósio.

10 boas práticas indicadas pelo estudo para tornar eventos de vela mais sustentáveis

  • 1. Priorizar hospedagem próxima ao local do evento
     Reduz deslocamentos diários e dependência de veículos
  • 2. Incentivar mobilidade ativa
     Estimular caminhada, bicicleta e patinete sempre que possível
  • 3. Promover caronas e transporte compartilhado
     Diminuir o número de veículos e as emissões por pessoa
  • 4. Favorecer o uso de transporte coletivo
     Ônibus e transfers organizados reduzem significativamente a pegada de carbono
  • 5. Planejar logística eficiente de equipamentos
     Compartilhar caminhões, otimizar rotas e evitar transportes duplicados
  • 6. Estimular aluguel ou empréstimo de equipamentos no local
     Reduz deslocamentos de longa distância
  • 7. Reduzir o uso de embarcações a motor
     Limitar barcos de apoio e evitar acompanhamento desnecessário na água
  • 8. Oferecer alternativas ao acompanhamento no mar
     Transmissões ao vivo e estruturas em terra diminuem emissões e ampliam o acesso ao evento
  • 9. Medir impactos ambientais e econômicos dos eventos
     Sem dados, não há gestão nem evolução
  • 10. Engajar a comunidade da vela na sustentabilidade
     Comunicar de forma simples, integrar o tema ao evento e estimular mudança de comportamento.

Visão rápida dos eventos pesquisados e alguns resultados

  • 1 ano de pesquisa (2025)
  • 4 eventos (Niterói, Fortaleza, Ilhabela e Brasília)
  • 16 perguntas (carbono e economia)
  • 186 pessoas envolvidas
  • 13 Estados representados
  • 13 Classes da modalidade vela representadas
  • R$ 1.775.000,00 injetados nas economias locais
  • 73 tCO2e emitidas pelo transporte de barcos/equipamentos
  • 32 tCO2e emitidas pelas viagens terrestres e aéreas
  • 4,7 tCO2e emitidas pela mobilidade diária
  • 1,8 tCO2e emitidas por botes que acompanharam as regatas
  • 0,4 tCO2e emitidas pela circulação turística


A publicação já está disponível no site da CBVela e pode ser baixada aqui.

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